Um dos maiores filósofos vivos do mundo, o norte-americano Ken Wilber, já explicou, em termos simples e acessíveis, a causa da decadência espiritual do Ocidente.
Basicamente: o movimento do Iluminismo, na ânsia de aniquilar a Igreja, que amedrontava a todos e que matou e torturou milhões de pessoas através da Inquisição, suprimiu toda e qualquer consciência religiosa, confundindo a Espiritualidade humana com apenas aquela espiritualidade de nível infantil, mítica, então vigente aos cidadãos dos séculos XVIII e XIX.
Esta revolta contra Deus deveria ter sido apenas uma revolta contra o Deus mítico, infantil, da época, mas acabou atingindo todas as formas de manifestações religiosas, formas inferiores e, principalmente, as formas superiores de espiritualidade.
O ser humano (individualmente e coletivamente), segundo hoje os mais avançados estudos, precisa – para própria evolução – se permitir o desenvolvimento de seus níveis de consciências, que é conseguido pelo desenvolvimento de suas inteligências múltiplas, tais como: cognitiva, moral, sinestésica, estética, emocional e espiritual.
Se alguma das linhas de desenvolvimento (ou inteligências múltiplas) não se desenvolve, pode afetar o desenvolvimento da inteligência como um todo.
A inteligência espiritual, segundo Wilber, é aquela que responde à pergunta fundamental : “o que é a mais importante das coisas que tenho consciência?”.
Ao retirar do mundo intelectual a espiritualidade como um todo, o Ocidente, de certo modo, se emburreceu. Limitou seu crescimento intelectual, pois cada nível de consciência tem como reflexo certo nível de desenvolvimento cognitivo, moral, estético e espiritual.
Sem o aspecto espiritual, só se permitiu o desenvolvimento da Cognição (Ciência), da Moral, e da Arte.
Como a religião não era mais ouvida, a Ciência passou a ser o novo deus, que deveria responder às questões fundamentais do ser humano. Tal tarefa não era a tarefa da Ciência, de modo ela não a cumpriu com êxito, daí ocorreu a crise espiritual ocidental.
Enfim, se estas idéias de Ken Wilber, por mim acima porcamente transubstanciadas, não forem verdadeiras, ainda assim, são bem contadas!