Eis mais um filme que não consigo assistir por inteiro: “Nosso Lar”.
Fiz duas tentativas. Na segunda vez, só saí na metade do filme, uma hora do início, portanto.
Veja só: aquela cidade espiritual nas alturas da estratosfera terrestre pode até ser bonitinha, mas me lembra demais a capital brasileira, Brasília. Não só na arquitetura dos prédios, quanto pela presença de inúmeros funcionários de uma burocracia dita superior.
No filme, há uma burocracia sufocante! Eficiente, mas sufocante! Bondosa demais, (e por isso) sufocante!
A explicação seria de que aquela cidade espiritual é apenas, digamos, uma cidade-hospital. Aí, a coisa toma outro viés, afinal um hospital tem lá suas regras próprias com seus respectivos problemas.
O protagonista, “André Luiz”, depois de morto e após levar uma vida aparentemente normal, ordinária, se vê no tal “umbral”, o inferno dos espíritas.
Fica lá um tempo até ser salvo por uma turma da cidade astral, codinomeada “Nosso Lar”, que passava pelo lugar.
Sem saída, a não ser aceitar a ajuda que apareceu, o espírito de André Luiz livra-se do lamaçal e vai direto para a cidade-hospital-bonitinha.
Lá, onde todos se vestem de branco – tal qual numa cidade grega, numa Acrópolis, em Atenas- não há carros, há só transporte coletivo, energia limpa e todos têm que acumular uma espécie de “Dotz” espiritual por meio do trabalho, a fim de gastá-los se comunicando com os parentes e amigos mortos que estão vivos.
Com bons efeitos especiais e uma arquitetura (ainda) futurista, mas bem aquém de qualquer cidade do futuro de qualquer ficção científica duma Hollywood, é um filme capaz de deixar orgulhoso o brasileiro telespectador, pois lhe fala de coisas cotidianas, num linguajar espírita – que afinal todos brasileiros sabem um pouco, dado nosso afamado sincretismo religioso.
Ainda assim, não engoli a tal “água fluidificada”… Vários amigos e conhecidos espíritas querem me convencer com todos os linguajares pseudocientíficos que sua cultura espírita lhes propiciou, que a tal “água” é remédio. Se fosse uma outra água …. mais ardente … até acreditaria que era santo remédio!
Bom, não vi mais que isto do filme: somente a metade, uma hora.
Mas, ainda assim, fiquei com a impressão que se o “céu” é assim, burocrático, intrometido e cheio de boas intenções, é um verdadeiro inferno… ou seria um verdadeiro “umbral”?