Ao ler textos sobre a Segunda Guerra Mundial, fico assustado.
Primeiro imagino a geração européia que viveu o entreguerras, ou seja, aqueles que nasceram antes ou mesmo durante a Grande Guerra e adentraram na Segunda Guerra Mundial.
Penso neles pelo seguinte: Como tiveram forças para superar a penúria e o sofrimento daqueles tempos? A mortandade monstruosa, a destruição de riquezas e de ambientes, a fome, a miséria, a escravidão, os combates, os massacres …. Não que alguém tenha vivido a Guerra em todas suas dimensões. Mas como acreditar em algo melhor? Num futuro?
Com tantas vidas em torno sendo ceifadas ou inutilizadas, como algum ser humano daqueles anos sobreviveu? Sem cicatrizes? Que filosofia de vida lhe deu sentido à vida?
O motivo da esperança deles possivelmente estava na próxima geração. Talvez acreditassem que a juventude que viria depois usufruiria da paz, da nova paz então.
Não deixa de ser um a ilusão pôr esperanças e sentidos da vida numa outra vida, que nem surgiu ou está em desenvolvimento.
Deve-se arcar com o próprio peso e viver em plenitude cada momento da vida. Plenitude: não beatitude, nem felicidade.
A geração da Segunda Guerra Mundial, principalmente do teatro das operações de combate, foi praticamente destruída. Que trabalho gerar e criar toda uma nova geração em meio à penúria e aos destroços, para ser, em seguinda tragada por nova barbárie!!
Algo ocorreu depois: o mundo não se envolveu numa situação daquelas outra vez mais. Isto mostra que há algo de positvo no mundo, como se uma pulsão de vida estivesse a vencer, a prevalecer sobre nosso instinto de morte.
A Segunda Guerra foi uma guerra justa? Do lado dos Aliados? Penso que sim, a opção era prevalecer o princípio da escravidão. Mas há quem acredite que não há guerras justas. Eu acredito nisso. Mas -há sempre um “mas”- ao ler os discursos de Thomas Mann feitos na BBC, dirigidos ao povo alemão, quase acredito em guerra justa naquela situação, contra aquele bando de criminosos que se apossou da Alemanha de então.
Mas isto é uma outra estória.