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Sanguinários de plantão adoraram a prisão da sócia da Daslu, que está com câncer em metástase.
Agora a mulher foi solta: ainda não sei os motivos da soltura, mas era injusto que ela continuasse na cadeia doente, independente de qual seja a lei: o resultado poderia ser sua morte.
Patifes dos Ministérios Públicos, que adoram aparecer, ou mesmo membros da Magistratura, do alto de sua pretensa sabedoria nada salomônica querem o linchamento de alguém por não pagar tributos. Ora num país onde metade da economia é informal, não vai faltar bandido. Mas condenar uma senhora rica -e só porque é rica- à morte me parece uma vingança. Claro, querem dar um exemplo aos demais sonegadores. Bem, o recado já foi bem dado então. Mas a ânsia de vingança dos justiceiros me preocupa. Pois aproveitem: labuzem-se e gozem com o martírio alheio! E só porque a criminosa é uma rica esnobe: este é seu crime lesa-pátria.
“Ah, e os milhares de pobres que são condenados por não terem tido uma defesa correta na Justiça?”
Simples: o Estado Democrático de Direito -seja lá o que for-, no Brasil, está cada vez mais desenvolvido e deverá servir aos ricos quanto aos pobres de modo cada vez mais igual, e não se deveria punir o rico por fazer bem sua defesa, mas levar a boa defesa, de qualidade, a ser estendida a todos. Se o rico corrompe a justiça, é outra estória. Mas quando o rico se defende com os mecanismos legais disponíveis não está agredindo ninguém.
”Ah, mais aí ninguém seria preso, só nos casos muito gritantes!” Exatamente é este o ponto: só deveria ir para cadeia ou manicômio quem é realmente perigoso, destrutivo.
Pois a Justiça – como invenção- é uma piada em qualquer país. Uma piada de mau-gosto. A retirada da liberdade de alguém deveria ser a última alternativa e não servir apenas para contentar a sede de vingança da população amedrontada e iludida com imagem de uma justiça redentora.
Isaac Newton: o genial físico, foi diretor da casa da moeda inglesa e mandou enforcar muitos falsários. Dizem que funcionou sua tática. A tática de um gênio. Se permitissem, e ouvissem as vozes do povo na rua, tal tática seria adotada no Brasil de hoje para punir os sonegadores e supostos pedófilos (dois novos bodes da vez). Mas Newton viveu no século XVII. No nosso século XXI, deveria haver algo mais criativo e mais humano… Mas aí seria pedir demais à bondade da sociedade e do bicho humano, em particular.


