
Friedrich Nietzsche
Acabo de ver comentário em vídeo de JP Coutinho no qual diz que Nietzsche era cruel.
Coutinho, cristão e conservador, tem todos os motivos para não gostar de quem quis aniquilar a fé e compaixão cristãs.
Nietzsche: Como filósofo, era louco, ou era filósofo por ser louco? Genial em muitas passagens, porém, o pensador também era meio tonto, antes que cruel.
Diria que ele não chegava a ser sempre cruel, era um mero bocó.
Vejamos :
“… Se a mulher fosse uma criatura pensante teria descoberto, [pois] cozinhando há milênios, os mais importantes fatos fisiológicos, e teria também aprendido a arte da cura! (…) Um aviso para as moças que freqüentam o secundário.” (grifo nosso)
- Hahaha, não deixa de ser engraçado o cara: o aviso às secundaristas é demais;
” … Mas o homem que tenha profundidade tanto no espírito como nos desejos, e também a profundidade da benevolência que é capaz de rigor e dureza, e facilmente confundida com estes, não pode pensar na mulher senão de modo oriental – ele tem que conceber a mulher como posse, como propriedade a se manter sob sete chaves, como algo destinado a servir e que só então se realiza … ” (grifo nosso).
- Tô começando a gostar do filósofo. haha. Vamos adiante:
“258 … O essencial de uma aristocracia boa e sã, porém, é que não se sinta como função (quer da realeza, quer da comunidade), mas como seu sentido e suprema justificativa – que portanto aceite com boa consciência o sacrifício de inúmeros homens que, por sua causa, devem ser oprimidos e serem reduzidos a seres incompletos, escravos, instrumentos. Sua fé essencial deve ser de que a sociedade não deve existir a bem da sociedade, mas apenas como alicerce e adaime ao qual um tipo seleto de seres possa elevar-se até a sua tarefa superior de ser superior: …”
- Sei que o filósofo quer combater aqueles que atrapalham o caminho do desabrochar de um espírito, mas a torcida do flamengo poderia entender algo diferente, ou é isso mesmo? Adiante:
“259 … a vida mesma é essencialmente apropriação, ofensa, sujeição do que é estranho e mais fraco, opressão, dureza, imposição de formas próprias , incorporação e, no mínimo e mais comedido, exploração – mas por que empregar sempre estas palavras, que há muito estão marcadas de um intenção difamadora? (…) terá de ser a vontade de poder encarnada, quererá crescer, expandir-se, atrair para si, ganhar predomínio – não devido a uma moralidade ou imoralidade qualquer, mas porque vive, e vida é precisamente vontade de poder….”
- Exploração é desculpa dos fracos para dominar ou conter os fortes, resumindo. Bom, pelo menos ele é franco e original, mas não verdadeiro. Quê conformado. Podem dizer que não, os seus fãs, mas ele é nazistóide avant la lettre.
“265 . Com risco de desagradar a ouvidos inocentes eu afirmo: o egoísmo é da essência de uma alma nobre, quero dizer, aquela crença inamovível de que, a um ser “tal como nós”, outros seres têm de sujeitar-se por natureza, e a ele sacrificar-se. …”
- Paranóia, é o que ele descreve. Não há dúvidas de pessoas que assim são e agem, só não vejo admiração a isso.
Ah, é difícil tirar sarro de um gênio filosófico, mas pelos enxertos dá para ver que a leitura de seus aforismos pode ser mal-entendida ou, na verdade, REALMENTE ele quis dizer o que disse.
Era um bom psicólogo, mas bocó.
Depois agrego mais abobrinhas do Nietzsche neste post.
Mas quem quiser uma opinião balizada, e não palpiteira como a minha, sobre obra do Nietzsche, pode procurá-la no Portal Brasileiro da Filosofia (ver links à esquerda). Lá há textos e vídeos bons e didáticos.