SÚPLICA
O dia parou no instante mesmo em que O percebi.
Percepção em mim, do infinito -da vida sem fim.
Pulsa a cidade cosmopolita com seus prazeres infinitos
Dela, a cidade, extraí a seiva luxuriante que me atormenta.
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Ao sentir minha carne desgastada, mas não saciada, clamei
Pelo fim do tédio na roda-viva da vida sem sentido, absurda.
Absurdo insustentável, fundante em liberdade, ainda distante
Daquela explicação máxima a que filosofia alguma há de encontrar.
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Engano-me talvez, a Verdade ainda é meu fim.
Intuo-a, percebo tratar-se da distância das ilusões,
Cansado de sofísticas, quero beber e mergulhar no Manancial.
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Senhor, que me ouves agora -deve ter me ouvido sempre
Perceba a minha perdição e conduza-me ao Mistério,
Mas em vida, nesta vida única, e ainda que por meios esotéricos.
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INICIAÇÃO.
Ver-me num espelho
Foi a primeira lição
Contemplei cada defeito,
cada sinal de precoce decadência,
aceitei-a então para morrer um pouco.
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Morrer aos poucos,
escapar da morte em vida.
Mentalizar a morte, a ceifadora
senti-la por perto, sem comiseração,
sem pena por mim ou pelos meu amigos
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Amigos afortunados: toda a humanidade
Que hoje e algum dia respirou sobre a Terra.
O Instante primeiro conduziu-me ao Absurdo,
Ao sem-sentido do ateu.
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Logo então, percebi mental malabarismo
a fim de descartar a simplicidade
A afiada navalha de Ockan à metafísica,
o simples prevalece, vinga.
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Este simples é ti, o Senhor …
A vida que não se explica sem tua presença
Alhures, algures ou por aqui, que importa!
Tu és o princípio, meio e fim.
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EGO TRANSCENDENTAL
Do fantasma tomista à essência husserliana, chega-se a Ti.
A essência,das essências das essências culminam para mim em Ti.
A inteligência humana, cansada de tantos reveses, tornou-se humilde.
Imagine eu! Que, mais por sentimento, intuição direta, Te entendo,
Colhi nos sábios as explicações que me protegem de outras sapiências, perdidas estas em espírito.
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A minha humildade carece porém de persistência.
Estou humilde, mas não é o correto.
Devo erguer-me com renovado sopro de inspiração e coragem e atacar o mundo!
Mundo hoje de zumbis jovens, sem esperança, perdidos -como estivera eu a pouco.
Deverei juntar-me a outros que estão a despertar da letargia para tocarmos as trombetas.
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Derrubarei então no meu mundo a indiferença, despertarei em alguns, a alegria que sinto.
Não se trata de em considerar-me um escolhido, mas do desespero de outrora ao Júbilo
Percorri estrada sinuosa e escorregadia em plena treva.
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Devo então retornar aos confins, à caverna, e ajudar a liberar os cegos de espírito.
Não sendo o Senhor, não me atrevo a usurpar-Lhe funções, apenas alertar aos incautos
Ao fim egoísta e paradoxal de libertar-me pela caridade desprendida.